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Próximo Futuro no Mindelo até 12 Novembro!

vista geral das instalações fotográficas

Vista da instalação fotográfica de Filipe Branquinho nas ruas do Mindelo, Cabo Verde (foto de Ana Cordeiro/IC-CCP, Pólo do Mindelo, 2012)

O Pólo do Mindelo do Camões / Centro Cultural Português informa que de 6 a 12 de Novembro 2012, por iniciativa da Fundação Gulbenkian, estão instaladas nas ruas de Mindelo (Rua 5 de Julho e Praça D. Luís) um conjunto de 12 fotos, impressas em lona, de dois fotógrafos moçambicanos: Camila de Sousa e Filipe Branquinho.

Esta exposição, organizada em parceria com o Programa Gulbenkian Próximo Futuro,  tendo estado patente ao público em Lisboa (nos jardins da Fundação), de junho a setembro do corrente ano, é agora reinstalada no Mindelo por ocasião do 9º Encontro das Fundações da CPLP. 

A montagem destas instalações fotográficas no Mindelo foi organizada pelo Pólo do Mindelo do IC/CCP, com o apoio do Programa Gulbenkian de Ajuda ao Desenvolvimento.

Mais sobre os fotógrafos Filipe Branquinho e Camila de Sousa, aqui e aqui. E sobre o Pólo do Mindelo do Centro Cultural Português, aqui.

vista geral de instalação fotográfica

Vista da instalação fotográfica de Camila de Sousa nas ruas do Mindelo, Cabo Verde (foto de Ana Cordeiro/IC-CCP, Pólo do Mindelo, 2012)

Artigo dedicado à CAMILA DE SOUSA na NY Arts!

Published10 Oct 2012

Tags NY Arts fotografia camila de sousa

camila de sousa

Incarcerated Meanings 

By Álvaro Luis Lima

I have yet to meet anyone who enjoys having ID pictures taken. Should one smile at the camera or go for a serious look at the risk of having your picture compared to a mug shot? In some areas of the world, these pictures are named after their size, a mere “3x4” centimeters, whereas in others, they are called “passport photos” or “document pictures.” Despite our expressive choices made when photographed, most people dislike how those identification cards turn out because of the distorted presentation of how one might like her image to be perceived.

Playing with the anxieties associated with photography and its institutional framings, Camila de Sousa titles her photographic series 3x4 (2011). This up-and-coming Mozambican artist chooses to represent women who are known to society as inmates—some from a detention center in Maputo, and others from one in Ndlhavela. Intrigued by the women’s position as prisoners, De Sousa attempts to look at perspectives different from the representations made by the legal system, comparing the conventional archetypes of these women to “3x4” photographs.

In the hope of complicating the “3x4” representation of the women living in Mozambican prisons, the artist applied her training as an anthropologist and inhabited both prisons, along with her subjects, for several months. De Sousa’s artistic process developed organically through her day-to-day contact with these women; the photographs reveal a negotiation between the artist and her subjects regarding how the finished piece would look. Speaking to David Durbach for the South African Magazine Mahala, De Sousa explains: “My foundation in anthropology helped me a lot. I went there for three months and didn’t take anything—I just talked to them. But then suddenly, they started to open up.”

Para ler o artigo completo, basta ir aqui.

3x4

Published28 Jun 2012

Tags camila de sousa próximo futuro


Camila de Sousa nasceu em Moçambique em 1985. A formação académica na área da Antropologia Visual é origem e suporte dos projectos artísticos que vem realizando. A sua pesquisa em torno da temática da representação do corpo feminino encarcerado levou-a a uma imersão nas cadeias femininas de Maputo (Moçambique), num trabalho de campo que durou mais de um ano. “3x4” é o resultado dessa pesquisa, dessa entrada da artista na cadeia Civil de Maputo e no Centro de Reclusão de Ndlhavela, e do acompanhamento das histórias de várias mulheres, desde a prisão preventiva à condenação e ao cumprimento da respectiva pena. Ao longo destes meses a artista conviveu com mulheres de nacionalidades diferentes, de idades e classes sociais diversas, com acusações e penas variadas, mas cujas histórias e experiências estão interconectadas por episódios de violência física e social, de separação, de expiação e de reconciliação. 

3x4 é a medida da cela que nunca é individual. No Centro de Reclusão estas mulheres cumprem já a sua pena, estão sentenciadas e condenadas. É aqui que refazem a sua história, e a reescrita começa por redefinir o local e o motivo da estadia naquele espaço. Dão-lhe estatuto de hospital psiquiátrico e assumem o período de reclusão como um tempo de cura, de recuperação de um desvio. 

3x4 é aqui uma serie de seis retratos de mulheres em pose de diva, nos seus divãs, que se espalham em liberdade pelos Jardins da Fundação, durante todo o Verão. São imagens que tentam criar um campo político de negociação e de recuperação do corpo feminino fracturado, que apesar de marcado pela violência patriarcal, não deixa, contudo, de ser um corpo feminino, senhor da sua sensualidade e do seu próprio movimento.

Elisa Santos

3x4, até 30 Set 2012 

Maputo ocupada até domingo

© Camila de Sousa

Está a decorrer nestes dias em Maputo a segunda edição das Ocupações Temporárias que tem por "chave" a precariedade. Inaugurou, ou melhor: o conjunto das cinco intervenções passou a ocupar vários lugares da cidade no dia 11 de Setembro, data do 10º aniversário sobre os atentados às Torres do World Trade Center de Nova Iorque.

A produtora das Ocupações, Elisa Santos, definiu-as como intervenções que assinalam o ”dia que marca o fim do mito da inviolável segurança, o fim da tranquilidade colectiva”.

Numa cidade e num país em mutações rápidas e com uma opinião pública muito pouco sustentada e pouco interventiva, que lugar ocupam os artistas neste processo de constituição de uma cidade aberta ao mundo? E que artistas são estes?

Os artistas que intervêm correspondem à mais recente geração de criadores já muito distantes da geração de Malangatana e Shikane, como de Naguib e mesmo do Muvart (este último, o movimento surgido no princípio da década deste século). Estes novos artistas são os artistas "conectados" pelas redes sociais, visitantes de sites, links, em estado constante de recepção via sms ou facebook e são artistas com preocupações sociais tomadas de um modo muito próprio. Nenhuma vertente sociológica é neles predominante mas rebelam-se contra os casos de corrupção pública, de desigualdade social, de falta de espaço no espaço público. Cada vez que intervêm escolhem o meio mais adequado e à parte disto são músicos, fotógrafos, desenhadores, pintores.

© Filipe Branquinho

O resultado das instalações – cuja descrição exaustiva pode ser vista em http://ocupacoestemporarias.blogspot.com/ – é uma constelação de rebeldia artística. Bem distante em termos de produção, de impacto mediático e de notoriedade, é como se de algum modo assistíssemos a um remake no Maputo da exposição "Quando as atitudes tomam formas", de 1969, com curadoria de Harald Szeemann.

No conjunto as Ocupações são de uma fragilidade de produção enorme dada a escassez dos meios, mas esta fragilidade dá-lhes uma inovação no processo de criação artística na actualidade moçambicana muito importante e a diversidade das propostas é uma das grandes mais-valias do processo, tanto mais que a qualidade plástica e interventiva das mesmas é determinante. Sejam as fotos e o vídeo assombrosos de Camila de Sousa, os retratos da exaltação da dignidade dos retratados de Filipe Branquinho, o Facebook em materiais pobres com intervenções públicas da autoria de Azagaia, o muro a graffiti de mitologias urbanas de ShotB Hontm, os desenhos das situações utópicas de Jorge Fernandes.

APR

   Cartaz das "Ocupações Temporárias"